Série: Virtudes dos músicos

   

Paciência a toda prova
“Os sinais distintivos do verdadeiro apóstolo se realizaram em nosso meio por intermédio de uma paciência a toda prova, de sinais, prodígios e milagres” (II Cor 12,12).

O primeiro detalhe que distingue quem é apóstolo é a paciência a toda prova. Os sinais, prodígios e milagres que seguem o apóstolo de Cristo são o resultado da paciência colocada à prova.

Toda falta de paciência resulta da falta de amor, pois onde reina o amor, impera a paciência. Da palavra “paciência” podemos tirar duas outras: PAZ e PACIÊNCIA.

Paciência é saber esperar com esperança, com paz e com conhecimento de que Deus tudo pode realizar em nós e por nós. O servo músico sofre as demoras de Deus sabendo que o tempo do Senhor é melhor que o nosso tempo (cf. Eclo 2,1ss). O ministro de Deus na música tem calma para ensaiar com os fiéis as canções e não se irrita com o desacerto dos outros.

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).
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Orante
Rezar por quê?

Ministério de música que não ora logo se desfaz, e o músico que não tem tempo para a oração cai logo. Em diversas ocasiões Jesus mostrou que era homem de oração, tanto que os discípulos Lhe pediram: “Senhor, ensina-nos a rezar, como João ensinou a seus discípulos” (Lc 11,1).

Sempre que o Senhor ia fazer algo importante, sempre que ia se dirigir ao povo para curá-lo, primeiro Ele consultava o Pai:
Mt 14,23: “Subiu a montanha para orar na solidão”.
Mt 26,36: “Assentai-vos aqui enquanto vou orar”.
Mc 1,35: “De manhã, tendo levantado muito antes do amanhecer, ele foi para um lugar deserto, e ali se pôs em oração”.
Mc 6,46: “E despedindo o povo retirou-se ao monte para orar” .
Lc 3,21: “E estando ele a orar o céu abriu” .
Lc 5,16: “Mas ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar” 
Lc 6,12: “Passou a noite toda orando” .
Lc 9,18: “Jesus estava a orar a sós” .
Lc 11,1: “Jesus estava a orar e os discípulos lhe pediram: 'Ensina-nos a orar'”.



Vejamos também as atitudes de Cristo ao orar:
Mt 14,23: “Subiu a montanha para orar na solidão”. 
Mt 26,42: “Apresentaram-lhe crianças para que orasse por elas”. 
Mt 26,39: “Prostrando com a face por terra, orava”. 
Mc 1,35: “Levantou-se antes do raiar o dia para orar”. 
Lc 9,18: “Estando ele a sós, orava”. 
Lc 22,41: “Ajoelhando-se, rezava”.

O que é oração:
São Gregório de Nissa: “É uma conversa com Deus”.
Santa Teresa: “Orar é falar de amizade, estando muitas vezes falando com quem sabemos que nos ama”.

Todas as vezes em que o músico for ministrar, tem primeiro de consultar o Senhor, ir aos pés do Mestre para escutá-Lo e ter uma conversa íntima com Ele.

No Getsêmani Jesus mostrou por que a oração deve vir acompanhada de vigilância: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26,41).

O maior sentido da oração é saber a vontade de Deus, escutá-Lo, adorá-Lo, buscá-Lo como fonte para nossa alma sedenta. Se formos ministros sem oração, fatalmente não saberemos nem faremos a vontade do Senhor.

Na introdução da Parábola do Juiz iníquo, São Lucas nos revela claramente a necessidade de orar sempre: “Propôs-lhe Jesus uma parábola para mostrar a necessidade de orar sempre, sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1).

Na parábola seguinte Jesus mostra que aquele juiz mau atendeu os pedidos daquela viúva, não para lhe fazer justiça, mas por causa da perseverança e insistência da mulher e para ficar livre de suas importunações. O Mestre nos faz lembrar que Deus não é um juiz corrupto, mas um Deus disposto a atender os filhos e recompensar aqueles que estiverem perseverando insistentemente na oração.

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).


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Comprometido e Desapegado

Ministério de música não é hobby, mas deve ser assumido como prioridade. O servo de Deus na música deve ser perseverante, não faltar aos seus compromissos sem um motivo justo e manter a palavra dada. Quem é comprometido e responsável não chega no meio da reunião, não sai antes de terminar o evento onde se encontra.

Da mesma forma, o músico comprometido com Deus escuta uma palestra e sabe transmiti-la adiante, não fica alheio aos ensinamentos enquanto não está ministrando a música, pois o seu compromisso é com Jesus e não com as pessoas.

O servo de Deus na música não usa desta para proveito próprio, pois sua causa é servir os irmãos com seu trabalho. Sabe que é uma missão muito importante que está executando para o bem dos irmãos, que está comprometido com a causa de levar Jesus ao irmão por meio da música e que não deve buscar em primeiro lugar os próprios interesses, mas os do irmão: “Ninguém busque o seu interesse, mas o do próximo” (I Cor 10,24).

Desapegado

O músico deve ser desapegado dos bens materiais; ele não é o dono das próprias coisas, mas um administrador dos bens que Deus lhe confiou a guarda: “Porque nada trouxemos ao mundo, como também nada podemos levar” .

Aquele que é desapegado sabe doar, pois segundo São Paulo, são palavras do próprio Jesus: “É maior felicidade dar que receber” (At 20,35).

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).

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Promotor do diálogo

“O sábio permanece calado até o momento oportuno, mas o leviano imprudente não espera a ocasião” (Pr 20,7).

O ministro da música é aquele que fala na hora certa, que sabe escutar, que não fala nos momentos impróprios, mas espera a ocasião para falar.

Muitas vezes, podemos falar tudo certo, mas no momento inoportuno, por isso, as palavras que lançamos tornaram-se pérolas atiradas aos porcos.

Da mesma forma, aquele que serve a Deus no canto deve saber ouvir o irmão e acolher sua sugestão. Todas as vezes em que falamos para ferir o irmão, nossas palavras não são instrumento de Deus, mas do mal. Nosso motivo para falar deve ser o amor, mesmo se o irmão necessitar de exortação. Se falarmos com amor ele acolherá nossas palavras.


O servo de Deus na música não deve ter o vocabulário carregado de palavrões nem contar piadas indecentes, pois: “O que mancha o homem não é o que entra nele, mas o que sai dele” (Mt 15,18). E ainda: “Nenhuma palavra má saia de vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que o ouvem” (Ef 4,29). Assim como: “Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças” (Ef 5,4).

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).


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Promotor da Reconciliação

O Documento de Puebla n. 205 nos diz:
“Quem, ao evangelizar, exclui de seu amor ainda que seja uma única pessoa, não possui o Espírito de Cristo”. 

O músico é o evangelizador no canto, por isso, se ele excluir do seu coração uma pessoa que seja, ele não estará sendo guiado pelo Espírito Santo. O ministro da música deve ser não somente aquele que perdoa, mas o que promove a reconciliação: “Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do altar e te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão: só então vem fazer a tua oferta” (Mt 5,23-24).
O ministro de música é aquele que vai ao irmão para promover a reconciliação e a paz, independentemente de estar ou não com a razão, pois o próprio Jesus foi levado à cruz sem pecado algum. No alto da cruz Cristo possuía todos os argumentos humanos para não perdoar, porém, disse aos que O haviam crucificado: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,24).

Quem está no campo da música para servir a Deus é inconcebível que esteja à frente com o coração sem perdão. É melhor parar, voltar atrás e pedir forças a Jesus para conseguir reconciliar-se com o irmão.

(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).


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Obediência e Disposição 
Samuel repreendeu o rei Saul por ele ter desobedecido a Deus, pois este preferiu seguir suas inspirações e não as do Senhor: “Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como à obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão vale mais que a gordura dos carneiros. A rebelião é tão culpável quanto a superstição; a desobediência é como o pecado da idolatria” (I Sm 15,22-23).

O ministro de música deve ser obediente ao corpo hierárquico da Igreja. Cristo é a cabeça e nós, Sua Igreja, somos os membros d'Ele. Nenhum membro pode existir separado do corpo, do contrário morre. Assim o músico deve estreitar os laços de amizade e respeito com o seu pároco e seu bispo.

Além da obediência ao corpo constituído da Igreja, deve o músico obedecer ao seu coordenador com amor e solicitude.

Disposição qualidade que deve sempre existir no músico, pois ele deve estar sempre disposto a servir. Ministério é serviço, por isso, se o músico não possuir o desejo de servir onde quer que sua presença seja necessária, ele não cumpre o papel a que foi chamado.

“Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens” (Col 3,23).


Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus


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Humildade
A verdadeira humildade é ser sempre obediente a Deus, pois dessa forma não nos sentimos donos do outro. Somente somos humildes quando dependemos de Deus, quando fazemos a vontade do Senhor em detrimento dos nossos planos.
Um dia, uma repórter norte-americana, ao ver o trabalho de Madre Teresa de Calcutá, observando seu humilde trabalho de socorrer os moribundos de Calcutá, e notar que muitos dos que eram socorridos morriam, perguntou à pequenina freira: “Madre, a senhora não fica frustrada de ver que não está tendo muito sucesso?” Então ela respondeu: “Minha filha, eu não estou aqui para fazer sucesso, mas para fazer a vontade de Deus”.
A verdadeira humildade é fazer a vontade de Deus e não a nossa. É fazer tudo para o Senhor aparecer no nosso lugar, a tal ponto de poderem dizer, como João Batista o fez, quando lhe contaram que Jesus estava fazendo mais milagres do que ele: “Importa que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3,30).


(Trecho extraído do livro: "Formação espiritual de evangelizadores na música" de Roberto A. Tannus e Neusa A. de O.Tannus).

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